"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lendo Cecília Meireles

Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...

Cecília Meireles

segunda-feira, 25 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poesia musicada



Vento no Litoral 
 Renato Russo


De tarde quero descansar

Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe

ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Eieieieiei!

Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso

Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Livro - André Neves

André Neves escreve e desenha poesias. 


Livro
"Quando estamos assim, 
JUNTINHOS,
em companhia um do outro. 
Sinto-me realmente grato 
ao bem que você me faz."
André Neves


Para ler o blog do André clique aqui




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Fernando Pessoa

Cleonice Berardineli disse em uma entrevista que existe uma estante do lado de sua cama e que o único autor que ela guarda lá é Fernando Pessoa, o único que ela permite que durma ao lado dela. Fernando Pessoa não dorme do meu lado, mas entendo prazer que ela sente em ler seus escritos. Apesar de detestar ler antes de dormir, permito-me, volta e meia, ler um ou dois poemas dele antes de dormir. Recentemente deparei-me com este que agora compartilho, Chuva Oblíqua. O poema, lindamente escrito, trouxe belos sentimentos, conexões e lembranças. Sinto-me em casa quando leio Pessoa e por isso, novamente convido-o para uma visita.
 
           Chuva Oblíqua, Fernando Pessoa - 1914

I

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...

    II

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

    III

A Grande Esfinge do Egito sonha pôr este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo... Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Queóps, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Queóps em ouro velho e Mim!...

    IV

Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...
De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do teto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados...

    V

Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carroussel...
Árvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim...
Noite absoluta na feira iluminada, luar no dia de sol lá fora,
E as luzes todas da feira fazem ruídos dos muros do quintal...
Ranchos de raparigas de bilha à cabeça
Que passam lá fora, cheias de estar sob o sol,
Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,
Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,

E os dois grupos encontram-se e penetram-se
Até formarem só um que é os dois...
A feira e as luzes das feiras e a gente que anda na feira,
E a noite que pega na feira e a levanta no ar,
Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,
Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,
Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,
E toda esta paisagem de primavera é a lua sobre a feira,
E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...
De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira
E, misturado, o pó das duas realidades cai
Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos
Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...
Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...
As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,
Sozinha e contente como o dia de hoje..

    VI

O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)

Atiro-a de encontro à minha infância e ela 
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça, 
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...

domingo, 11 de julho de 2010

Alice nos visita

Elias José morreu em 2008, com 72 anos. Antes disso, escreveu e publicou diversos contos e poemas. Eu o conheci por acaso enquanto lia A caligrafia de dona sofia, de André Neves. Elias José escreveu a apresentação do livro e alguns dos poemas que André Neves utiliza para dar vida a simpática personagem. Amei os que Elias José escreveu na apresentação, amei os poemas. Por isso, quando vi um novo livro dele ser lançado, eu sabia que queria comprar e me deliciar com seus poemas para crianças. O livro foi lançado um ano depois de sua morte e este ano recebeu um prêmio da revista Crescer. Alice no País da Poesia é um livro que leva nossa querida personagem e o leitor a um delicioso mergulho no mundo da poesia. Semana passada, quando entrei na Malasartes ele estava me esperando, eu não hesitei. Espalhando poesia, acompanhando Alice e apresentado Elias José:

Paisagem Romântica
(Elias José)


Nas noites de lua cheia,
cavalos e cavaleiros seguem
leves, calmos e certos
e buscam novas nuvens
de esperança


Nas noites de lua cheia
cavalos e cavaleiros sonham
em buscam velhos lugares
esquecidos, fora dos mapas.
Buscam muitas históricas
e poemas de amo
para reforçarem a fé
no ser humano
e na vida.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Lendo Fernando Pessoa

A amiga Clarissa apresentou o poema que eu, até o semestre passado, não conhecia, mesmo considerando Fernando Pessoa como meu favorito. Anexei um trecho do filme Palavra (en) cantada no qual o poema foi lido por Maria Bethânia, o filme  foi apresentado pelo professor Ilmar. Hoje resolvi compartilhar o poema, descobri que muitos não conhecem e é belíssimo. Postagem em época de provas nunca é muito longa.

Eros e Psiquê
(Fernando Pessoa)

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades


que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade. 
                    (Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio

                        Na Ordem Templária De Portugal) 


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

--
Eros e Psique recitado
Palavra (En) cantada - Maria Bethânia



sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago (1922 - 2010)

Foto: Sebastião Salgado

Retrato do poeta quando jovem
(José Saramago)
 


Há na memória um rio onde navegam 
Os barcos da infância, em arcadas 
De ramos inquietos que despregam 
Sobre as águas as folhas recurvadas. 

Há um bater de remos compassado 
No silêncio da lisa madrugada, 
Ondas brancas se afastam para o lado 
Com o rumor da seda amarrotada. 

Há um nascer do sol no sítio exacto, 
À hora que mais conta duma vida, 
Um acordar dos olhos e do tacto, 
Um ansiar de sede inextinguida. 

Há um retrato de água e de quebranto 
Que do fundo rompeu desta memória, 
E tudo quanto é rio abre no canto 
Que conta do retrato a velha história. 


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)


--


Poema à boca fechada
(José Saramago)

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição) 

domingo, 13 de junho de 2010

Poesia na noite fria de um domingo.

Enquanto esquento os pés e fujo da dor de cabeça da sinusite acabo lendo poesia. (quase tão eficaz quanto dipirona)
Luana nos apresentou o poeta, eu o trago novamente para visitar nosso blog.
                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                                                       Foto: Corbis
He Wishes for the Cloths of Heaven
W.B. Yeats


Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of noght and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet
But I, being poor, have only my dreams
I have spread my dreams under your feet
Tread softly because you tread on my dreams.
                                                                                                               

sábado, 8 de maio de 2010

Cheiro de velho, gosto de novo

Recentemente fui acusada de gastar muito dinheiro com livros. Existe verdade nesta afirmação. Acho que eu sou meio viciada em livros. E o que é pior, tenho o péssimo costume de ler os livros que compro. 
Hoje, eu voltava da UERJ depois de um seminário e ao chegar na praça Saens Peña eu escolhi voltar a pé e guardar o dinheiro que eu poderia usar para pegar outra condução até mais perto de casa. O dinheiro não ficou muito tempo na minha carteira. Entrei em um sebo no caminho de casa, contei o dinheiro, comprei um livro de poesia. Estava há muito tempo querendo voltar a ler Cecília Meireles, mas a necessidade de priorizar outros livros não havia me permitido ainda entrar em uma livraria e sair com alguma obra dela. Já explicitei em outro momento que ela é uma das minhas favoritas. 
Comecei a ler meu velho livro novo. Resolvi compartilhar um dos poemas. 
Pensei na Eunícia quando li este, e na compulsão que ela diz ter por palavras. 


Vôo


A Darcy Damasceno


Alheias e nossas
as palavras voam.
Bando de borboletas multicores,
as palavras voam.
Bando azul de andorinhas,
bando de gaivotas brancas.
as palavras voam.
Voam as palavras
como águias imensas
Como escuros morcegos
como negros abutres,
as palavras voam.

Oh! alto e baixo
em circulos e retas
acima de nós, em redor de nós
as palavras voam

E às vezes pousam

Cecília Meireles 


(MEIRELES, Cecília. "Vôo" In: poesias completas de cecília meireles. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. )

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cora Coralina

Alguns dias são mais alegres ou mais tristes.
Hoje o dia não foi muito alegre.
Eu nunca tinha lido nada de Cora Coralina, mas hoje, por acaso, li estes versos no Facebook da Eunícia, achei lindos demais e precisei compartilhar, pois me tocaram e me alegraram.
Espero ser para outros aquilo que essas pessoas que perdi são para mim.


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo.
É o que dá sentido à vida
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

(Cora Coralina)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Notas de uma madrugada chuvosa

Como Agnes Maria me intimou, muito sutilmente a postar no Blog, e estou no meu intervalo, resolvi dar o ar de minha graça.
Estou estudando o Romantismo, e toda essa subjetividade e desencanto com o mundo acabaram combinando com o meu estado de espírito exausto de pré-férias, logo compartilho com vocês um poema que amo imensamente! Seu autor é um dos meus poetas favoritos, um charmoso irlandês William Butler Yeats ( 1865-1939) ganhou prêmio nobel de Literatura em 1923.
Sem mais delongas eis aqui o poema:

Ephemera
"Your eyes that once were never weary of mine
Are bowed in sotrow under pendulous lids,
Because our love is waning."
And then She:
"Although our love is waning, let us stand
By the lone border of the lake once more,
Together in that hour of gentleness
When the poor tired child, passion, falls asleep.
How far away the stars seem, and how far
Is our first kiss, and ah, how old my heart!"

Pensive they paced along the faded leaves,
While slowly he whose hand held hers replied:
"Passion has often worn our wandering hearts."

The woods were round them, and the yellow leaves
Fell like faint meteors in the gloom, and once
A rabbit old and lame limped down the path;
Autumn was over him: and now they stood
On the lone border of the lake once more:
Turning, he saw that she had thrust dead leaves
Gathered in silence, dewy as her eyes,
In bosom and hair.
"Ah, do not mourn," he said,
"That we are tired, for other loves await us;
Hate on and love through unrepining hours.
Before us lies eternity; our souls
Are love, and a continual farewell."