"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mia Couto, O outro pé da sereia.

Tenho um ritual com livros. Com os livros do Mia Couto eu acrescento um item a este ritual. 
Passo a mão na capa, folheio o livro, cheiro as páginas, checo a orelha, leio o que está escrito atrás, leio a última frase do livro. (Somente a última frase) 

No caso dos livros do Mia Couto com epígrafes, eu faço primeiro a leitura de todas as epígrafes. Sinto-as, deixo que falem comigo, e só depois disso é que começo a ler o livro. Li as epígrafes deste livro, O outro pé da sereia,  deitada em um banco numa praça de brasília. Registrei com uma foto. As epígrafes anunciaram-me com clareza algo que confirmei mais tarde, o livro é fantástico, magnífico. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nada de novo no front...


"Este livro não pretende ser um libelo e nem uma confissão, e menos ainda uma aventura, pois a morte não é uma aventura para aqueles que se deram face a face com ela. Apenas procura mostrar o que foi uma geração de homens que, mesmo tendo escapado às granadas, foram destruídos pela guerra."
(Erich Maria Remarque. Nada de novo no front. Porto Alegre: L&PM, 2010.)

Ao terminar de ler este livro, não sei exatamente o que escrever aqui...

É o tipo de leitura que tem o poder de nos deixar pensativos por longo tempo. Se tenho que descrever o livro em poucas palavras, fico com as do autor do pequeno resumo que acompanha a edição: "assustadoramente comovedor".

Erich Maria Remarque, o autor, combateu nas trincheiras alemães da Primeira Guerra Mundial. Foi ferido três vezes, uma delas gravemente. Na década seguinte tomou notas dos horrores que viveu na frente de batalha, formando o núcleo deste seu livro. Nada de novo no front (Im Western Nichts Neues) foi publicado em 1929, sendo considerado até hoje um dos mais importantes romances pacifistas do século XX. É de impressionar como a experiência vivida pelo autor flui das páginas. Sua impressionante e assustadora descrição do front ocidental e o poder psicológico que exercia naqueles soldados, rapazes de 18 anos que para lá eram enviados para combater, tornam o texto violentamente vivo; as violências da guerra, a descrição de corpos mutilados e a crescente indiferença em relação a tudo isto, os sofrimentos, os momentos de descanço da tropa, as diversas maneiras de adaptação e o cotidiano daqueles jovens soldados são apresentados pelo autor de forma viva e diferente de se ver a guerra. Remarque também traz profundas reflexões e apresenta suas pesadas críticas ao narrar os crescentes questionamentos de seus personagens, a maioria soldados, em relação ao conflito e aos motivos que levam o homem a fazer a guerra. Acho que, destas críticas, a que mais me sinto tentado a registrar aqui é a que diz respeito à influência dos professores.

Comovidos pelos discursos inflamados e ideais nacionalistas de um de seus professores, o protagonista Paul Bäumer e sua turma dirigem-se ao destacamento do bairro e se alistam. Ao ver do que se trata realmente uma guerra, Bäumer nos deixa o seguinte testemunho:

"Os professores deveriam ter sido para nós os intermediários, os guias para o mundo da maturidade, para o mundo do trabalho, do dever, da cultura e do progresso e para o futuro. Às vezes, zombávamos deles e lhes pregávamos peças, mas, no fundo, acreditávamos neles. A idéia de autoridade da qual eram os portadores, juntou-se em nossos pensamentos uma melhor compreensão e uma sabedoria mais humana. Mas o primeiro morto que vimos destruiu esta convicção. Tivemos que reconhecer que a nossa geração era mais honesta do que a deles; só nos venciam no palavrório e na habilidade. O primeiro bombardeio nos mostrou nosso erro, e debaixo dele ruiu toda a concepção do mundo que nos tinham ensinado.

Enquanto eles continuavam a escrever e a falar, víamos os hospitais e os moribundos; enquanto proclamavam que servir ao Estado era o mais importante, já sabíamos que o pavor de morrer é mais forte. Nem por isto nos amotinamos, nem nos tornamos desertores, nem mesmo covardes - todas estas expressões vinham-lhes com muita facilidade. Amávamos nossa pátria tanto quanto eles e avançávamos corajosamente em cada ataque; mas, agora, já sabíamos distinguir, aprendemos repentinamente a ver; e, do mundo que haviam arquitetado, víamos que nada sobrevivera. De súbito, ficamos terrivelmente sós - e, sós, tínhamos de nos livrar de toda esta embrulhada."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minha vida vale uma história.

Nunca li uma biografia, não gosto de biografias, elas são parciais e nunca podem revelar o todo, só partes e partes escolhidas, seja boas ou seja más os fatos narrados são selecionados, tanto que não da para se escrever tudo o que fazemos, por isso não gosto de biografias, não leio e talvez nunca leia alguma, mas convido você a ler a minha.
Porque ler minha biografia?
Porque eu não sou parcial, não conto apenas os grandes fatos, não revelo somente o que não quero esconder, minha vida e toda ela posta a pratos limpos, todos podem ver, podem olhar e fazer seu julgamento, seja boa ou seja ruim, heróica ou vergonhosa não esconderei nada, tudo será revelado. Até pensamentos íntimos sobre amigos, amantes, familiares, tudo será exposto, uma verdadeira catarse psicanalistica, falarei e serei falado, mas o que me importa, é a minha vida.
Ler um livro sobre outro alguém é querer saber o que não se sabe, é querer ouvir as coisas secretas escondidas.
Por isso resolvi escrever uma biografia, sobre mim é claro, parto do principio que todos gostam de biografia, de pessoas anônimas então todos adoram (irônico).
Elas são reveladoras, mostram tudo, elas são o meio de se conhecer o outro, na sua pureza, na sua verdade.
Como assim eu sou controverso? Eu não disse que biografias são parciais, nunca disse isso.
Não disse mas escrevi, é por isso que não leio biografias, nem tudo o que está escrito é o que realmente aconteceu. Vale a pena ler biografias, vale, vale como ler revistas, uma revista super interessante.
É por isso que não leio biografias, mas vou escrever uma.

domingo, 11 de julho de 2010

Alice nos visita

Elias José morreu em 2008, com 72 anos. Antes disso, escreveu e publicou diversos contos e poemas. Eu o conheci por acaso enquanto lia A caligrafia de dona sofia, de André Neves. Elias José escreveu a apresentação do livro e alguns dos poemas que André Neves utiliza para dar vida a simpática personagem. Amei os que Elias José escreveu na apresentação, amei os poemas. Por isso, quando vi um novo livro dele ser lançado, eu sabia que queria comprar e me deliciar com seus poemas para crianças. O livro foi lançado um ano depois de sua morte e este ano recebeu um prêmio da revista Crescer. Alice no País da Poesia é um livro que leva nossa querida personagem e o leitor a um delicioso mergulho no mundo da poesia. Semana passada, quando entrei na Malasartes ele estava me esperando, eu não hesitei. Espalhando poesia, acompanhando Alice e apresentado Elias José:

Paisagem Romântica
(Elias José)


Nas noites de lua cheia,
cavalos e cavaleiros seguem
leves, calmos e certos
e buscam novas nuvens
de esperança


Nas noites de lua cheia
cavalos e cavaleiros sonham
em buscam velhos lugares
esquecidos, fora dos mapas.
Buscam muitas históricas
e poemas de amo
para reforçarem a fé
no ser humano
e na vida.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Lendo Fernando Pessoa

A amiga Clarissa apresentou o poema que eu, até o semestre passado, não conhecia, mesmo considerando Fernando Pessoa como meu favorito. Anexei um trecho do filme Palavra (en) cantada no qual o poema foi lido por Maria Bethânia, o filme  foi apresentado pelo professor Ilmar. Hoje resolvi compartilhar o poema, descobri que muitos não conhecem e é belíssimo. Postagem em época de provas nunca é muito longa.

Eros e Psiquê
(Fernando Pessoa)

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades


que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade. 
                    (Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio

                        Na Ordem Templária De Portugal) 


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

--
Eros e Psique recitado
Palavra (En) cantada - Maria Bethânia



segunda-feira, 21 de junho de 2010

"te amo até a lua..." (ida e volta)

Meu pai fez aniversário no início do mês. Como ele não queria grandes supresas e nem queria escolher o presente, eu e minha irmã decidimos que faríamos algo diferente. Eu tenho 22 anos e minha irmã 18, mesmo assim, escolhemos um presente de criança. O livro "Adivinha quanto eu te amo" fala sobre um coelhinho filho que quer mostrar ao coelho pai o quanto o ama. (e tenta de tudo, mas o amor do coelho pai sempre parece maior). Meu pai adorou. Os filhos crescem, mas o amor não envelhece. Felizmente. :)

"depois deitou-se ao lado do filho e  sussurou sorrindo:
te amo até a lua... ida e volta"