"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minha vida vale uma história.

Nunca li uma biografia, não gosto de biografias, elas são parciais e nunca podem revelar o todo, só partes e partes escolhidas, seja boas ou seja más os fatos narrados são selecionados, tanto que não da para se escrever tudo o que fazemos, por isso não gosto de biografias, não leio e talvez nunca leia alguma, mas convido você a ler a minha.
Porque ler minha biografia?
Porque eu não sou parcial, não conto apenas os grandes fatos, não revelo somente o que não quero esconder, minha vida e toda ela posta a pratos limpos, todos podem ver, podem olhar e fazer seu julgamento, seja boa ou seja ruim, heróica ou vergonhosa não esconderei nada, tudo será revelado. Até pensamentos íntimos sobre amigos, amantes, familiares, tudo será exposto, uma verdadeira catarse psicanalistica, falarei e serei falado, mas o que me importa, é a minha vida.
Ler um livro sobre outro alguém é querer saber o que não se sabe, é querer ouvir as coisas secretas escondidas.
Por isso resolvi escrever uma biografia, sobre mim é claro, parto do principio que todos gostam de biografia, de pessoas anônimas então todos adoram (irônico).
Elas são reveladoras, mostram tudo, elas são o meio de se conhecer o outro, na sua pureza, na sua verdade.
Como assim eu sou controverso? Eu não disse que biografias são parciais, nunca disse isso.
Não disse mas escrevi, é por isso que não leio biografias, nem tudo o que está escrito é o que realmente aconteceu. Vale a pena ler biografias, vale, vale como ler revistas, uma revista super interessante.
É por isso que não leio biografias, mas vou escrever uma.

domingo, 11 de julho de 2010

Alice nos visita

Elias José morreu em 2008, com 72 anos. Antes disso, escreveu e publicou diversos contos e poemas. Eu o conheci por acaso enquanto lia A caligrafia de dona sofia, de André Neves. Elias José escreveu a apresentação do livro e alguns dos poemas que André Neves utiliza para dar vida a simpática personagem. Amei os que Elias José escreveu na apresentação, amei os poemas. Por isso, quando vi um novo livro dele ser lançado, eu sabia que queria comprar e me deliciar com seus poemas para crianças. O livro foi lançado um ano depois de sua morte e este ano recebeu um prêmio da revista Crescer. Alice no País da Poesia é um livro que leva nossa querida personagem e o leitor a um delicioso mergulho no mundo da poesia. Semana passada, quando entrei na Malasartes ele estava me esperando, eu não hesitei. Espalhando poesia, acompanhando Alice e apresentado Elias José:

Paisagem Romântica
(Elias José)


Nas noites de lua cheia,
cavalos e cavaleiros seguem
leves, calmos e certos
e buscam novas nuvens
de esperança


Nas noites de lua cheia
cavalos e cavaleiros sonham
em buscam velhos lugares
esquecidos, fora dos mapas.
Buscam muitas históricas
e poemas de amo
para reforçarem a fé
no ser humano
e na vida.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Lendo Fernando Pessoa

A amiga Clarissa apresentou o poema que eu, até o semestre passado, não conhecia, mesmo considerando Fernando Pessoa como meu favorito. Anexei um trecho do filme Palavra (en) cantada no qual o poema foi lido por Maria Bethânia, o filme  foi apresentado pelo professor Ilmar. Hoje resolvi compartilhar o poema, descobri que muitos não conhecem e é belíssimo. Postagem em época de provas nunca é muito longa.

Eros e Psiquê
(Fernando Pessoa)

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades


que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade. 
                    (Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio

                        Na Ordem Templária De Portugal) 


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

--
Eros e Psique recitado
Palavra (En) cantada - Maria Bethânia



segunda-feira, 21 de junho de 2010

"te amo até a lua..." (ida e volta)

Meu pai fez aniversário no início do mês. Como ele não queria grandes supresas e nem queria escolher o presente, eu e minha irmã decidimos que faríamos algo diferente. Eu tenho 22 anos e minha irmã 18, mesmo assim, escolhemos um presente de criança. O livro "Adivinha quanto eu te amo" fala sobre um coelhinho filho que quer mostrar ao coelho pai o quanto o ama. (e tenta de tudo, mas o amor do coelho pai sempre parece maior). Meu pai adorou. Os filhos crescem, mas o amor não envelhece. Felizmente. :)

"depois deitou-se ao lado do filho e  sussurou sorrindo:
te amo até a lua... ida e volta"

domingo, 20 de junho de 2010

You've got a friend in me...


Me senti compelido a escrever, embora não saiba bem o que...
Ontem fui ao cinema fechar um ciclo, acho que podemos dizer assim. Tudo começou há um tempão atrás... honestamente não me lembro bem quanto tempo faz. Eu devia ter 9 ou 10 anos... foi quando minha mãe chegou em casa com o VHS do Toy Story. Eu não tinha visto no cinema. Sei que se transformou rapidamente em um dos meus filmes favoritos, junto com Pateta, o Filme. Gostava de ver aqueles brinquedos andando e falando, cheios de vida, se metendo em enrascadas e, é claro, ficava impressionado com o fato de ser um filme inteiramente feito em computação gráfica, o que não impressiona mais hoje. Assisti várias vezes. Quando o Toy Story 2 chegou ao cinema, eu já estava, digamos, ficando velho para isso e as crianças da minha idade não queriam mais ir ao cinema ver "filmes de criança"... mas eu fui mesmo assim e não me arrependi. Ria muito no cinema. Hoje penso em como o pessoal da Pixar foi genial. Bonecos com vida! É tudo que uma criança quer ver! A amizade foi sempre o tema forte dos filmes... O que quero dizer é que hoje considero que Toy Story foi muito importante para esse meu finalzinho de infância. Por isso, fui ver Toy Story 3 ontem e com companhia muito especial. Esperamos por mais de um ano e resolvemos que tínhamos que assistir juntos. Revimos os dois primeiros em 3D nos cinemas (e eu pude ver o 1 na tela grande) e esperamos... Ontem, ao final do filme, coisa rara de acontecer. Me vi enxugando lágrimas no rosto... e fiquei com vergonha... Imaginem só! Um marmanjo barbado, de 23 anos enxugando lágrimas ao ver Toy Story! Mas então a vergonha passou. Eu olhei em volta e vi várias pessoas da minha idade vendo o final da história que elas viram iniciar quando eram crianças. Aliás, crianças na sala eram poucas, pelo menos em idade. Então pensei... o Andy cresceu e eu também. Isso é fantástico! Como disse, fechei um ciclo... com chave de ouro.

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago (1922 - 2010)

Foto: Sebastião Salgado

Retrato do poeta quando jovem
(José Saramago)
 


Há na memória um rio onde navegam 
Os barcos da infância, em arcadas 
De ramos inquietos que despregam 
Sobre as águas as folhas recurvadas. 

Há um bater de remos compassado 
No silêncio da lisa madrugada, 
Ondas brancas se afastam para o lado 
Com o rumor da seda amarrotada. 

Há um nascer do sol no sítio exacto, 
À hora que mais conta duma vida, 
Um acordar dos olhos e do tacto, 
Um ansiar de sede inextinguida. 

Há um retrato de água e de quebranto 
Que do fundo rompeu desta memória, 
E tudo quanto é rio abre no canto 
Que conta do retrato a velha história. 


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)


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Poema à boca fechada
(José Saramago)

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)