"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Infância com guarda-chuva


Acho que eu tinha três anos quando conheci o filme. Na casa da minha prima eu assisti pela primeira vez, mas passavam sempre na globo e meu pai gravou um dia para mim. Mary Poppins era uma atividade diária. Eu assistia sempre após a soneca da tarde, desde os três anos. Quando cresci um pouco minha tia me deu de presente um guarda-chuva. Então eu sentava no sofá, com o guarda-chuva e esperava minha mãe colocar o filme. Eu tive 3 fitas VHS gravadas da televisão com o filme (pois elas furavam de tanto uso), 1 VHS original comprado no supermercado e esse filme foi o primeiro DVD que comprei. Tenho hoje a edição comemorativa de 35 anos do filme e é o único dvd cujos extras eu assisti todos, mais de uma vez.
Subia nas cadeiras e tentava voar com o guarda-chuva, por algum motivo, que na época eu não compreendia, eu nunca consegui. Além disso, mais de uma vez eu tentei arrumar o quarto estalando os dedos. Pular em desenhos de giz na calçada também não seria mal e tomar chá no teto. Todas essas fantasias povoavam minha mente de menina e talvez por isso eu ainda ame o filme de paixão.

Quando meu pai foi a Londres eu lhe pedi uma coisa que era muito importante, a coleção de livros com as histórias de Mary Poppins, escrito por P. L. Travers. Claro que o filme conta com algo que o livro não pode ter, a atuação de Julie Andrewns, que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz em 1965. Não tem como competir com isso.
A viagem mágica que se iniciou quando eu tinha 3 aninhos, prossegue ainda hoje, pois agora eu sou capaz de ler o livro com a bela história que deu origem a tudo. Infelizmente os livros prosseguem sem tradução e digo infelizmente pois são livros muito bons, com a dose certa de fantasia, humor e açucar. Por hora tenho quatro dos oito livros com as história de Mary Poppins, espero eventualmente completar a coleção.
Ainda sei cantar as músicas do filme,  dançar alguns dos passos e sei as falas do filme quase todo de cor. Sobretudo, tenho uma palavra muito boa para dizer quando não se sabe o que dizer, Supercalifragilisticexpialidocious
O filme mostra como é importante estarmos atentos ao que acontece a nossa volta. Pessoas que por vezes precisam de nossa ajudam, ou pássaros que precisam ser alimentados. Mesmo assim, tantos de nós não conseguimos enxergar um palmo adiante do nariz. Mary conta para as criançar que custa apenas dois pences alimentar os pássaros, mas o que importa não é o valor e sim o coração que sinceramente se dispõe a ser bondoso. Ilustro isso com algo que o Senhor Walt Disney fez.
No filme existe uma senhora que tem apenas duas falas e aparece por menos de 5 minutos. A senhora dos pássaros, uma velha atriz, Jane Darwell. Apesar de sua minúscula aparição, o senhor Disney tratou-a como se fosse protagonista. Deu-lhe um belo camarim e mandou belos carros irem apanhá-la. Ele queria que ela soubesse que era importante. De fato, Mary Poppins foi sua última aparição, logo após o filme ela veio a falecer. Alimentem os pássaros,  dois pences para demonstrar bondade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Enfim!


Depois de muito flertar, quase um ano de flerte, eis o livro cuja leitura inicío hoje.
=D Em breve conto para vocês o que pensei ao ler, por hora estou encantada com as pequenas ilustrações feitas pela própria autora.




domingo, 27 de setembro de 2009

Mitologia grega para os dias de hoje

Queridos Leitores,
fui convocada a postar no blog... então, resolvi escrever sobre uma série infanto-juvenil que adoro! Eu li hoje o terceiro livro dela e tenho os dois primeiros caso alguém se interesse. Como passatempo é divertidissima, pois tem uma linguagem fácil e ágil.
Bem, vou colocar o resumo explicando sobre os livros.

"Percy Jackson e os Olimpianos é uma série de livros juvenis de aventura escritos pelo autor Rick Riordan que começou a ser publicada em 2005 nos EUA e vem se tornando sucesso absoluto de crítica e venda. A série  parte de uma premissa interessante. O que aconteceria se os deuses gregos ainda estivessem vivos no mundo atual e com as mesmas características e vícios da Mitologia?
seaofmonsters painting 2 153x230 Percy Jackson e os Olimpianos, o verdadeiro sucessor de Harry PotterO livro nos apresenta um garoto chamado Perceu "Percy" Jackson que não se ajusta em nenhuma escola por ser considerado indisciplinado, hiper-ativo e disléxico. A história começa com ele aos 12 anos e prestes a ser expulso de sua sétima escola, ele mora com a mãe e o padrasto que odeia e não sabe quem é seu pai. De repente, sem nenhuma explicação lógica começa a ser perseguido por feras mitológicas e outras entidades da Mitologia Grega, tais como Fúrias, Parcas e o Minotauro."

Fonte: http://ambrosia.com.br/2009/01/30/percy-jackson-e-os-olimpianos-o-verdadeiro-sucessor-de-harry-potter/


sábado, 26 de setembro de 2009

Quem tem medo do Escuro?

Na Bienal eu comprei um livro sobre medos no geral e sobre um em particular, o escuro.
O título do post é também o título de um livro amado de quando eu era criança. Era uma coleção inteira. Quem tem medo de: Monstros, mar, bruxas, dragões, extraterrestres, dentista, fantasma, lobo, tempestade e por fim, um dos meus favoritos, escuro.
Se eu tinha medo do escuro? bem, a maior parte das crianças tem não é mesmo? 
Eu tinha menos medo do escuro do que eu tinha de ficar sozinha. Eu sempre acendia TODAS as luzes da casa quando estava sozinha. Inclusive da do quarto de empregada. (risos)
Dois ou três anos atrás eu tive medo do escuro de novo. Estava em viagem com a família em Atibaia - SP. Todo mundo sabia que tinha uma onça, ou algum bicho do genero, solta pelas redondezas. Eu vi as pegadas perto do lago. Estávamos em família e com alguns amigos, depois de brincarmos bastante, chegou a hora de irmos cada um para seus respectivos chalés ou apartamentos. Fui sozinha para o de minha família. Naquele escuro, com boato de onça e no meio das árvores, eu tive medo de novo.
Acho divertido ler histórias sobre medos. Devo admitir que comprei o livro simplesmente porque li Mia Couto na capa. Digo por fim que é um bela história. Para crianças e adultos. Eis então um trecho da lindíssima introdução feita por Mia.

"Não sei se alguém pode fazer livros para crianças. Na verdade, ninguém se apresenta como fazedor de livros "para" adultos. O que me encanta no acto da escrita é surpreender tanto a escrita como a língua em estado de infância. E lidar com o idioma como se ele estivesse ainda em fase de construção, do mesmo modo que uma criança converte o mundo inteiro num brinquedo. Eu penso assim, e por todas estas razões, nunca acreditei que, um dia, eu escreveria uma história que iria constar num livro infantil. Mas sucedeu assim. À força de contar histórias para meus filhos adormecerem, inventei uma convicção para mim mesmo e acredito que invento histórias para que a Terra inteira adormeça e sonhe. O escritor traria, assim, o planeta ao colo. (...)"
(Mia COUTO. Livro Infantil in: o Gato e o Escuro.)


Ps. Como diria Eunícia em comentário antigo e Mia Couto no livro em questão, não é preciso temer...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Luana

Clarice Lispector para Luana, leitora amiga.

"Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."

=D obrigada pela sua alegria Luaninha, que sempre nos alegra tão grandemente.
Feliz Aniversário.

Bienal...

Sobre a Bienal?
Bem eu fui. Duas vezes e me diverti em ambas.
Primeiro fui em um sábado, estaca lotada e quase impossível era percorrer aqueles corredores abarrotados de gente no Riocentro. Ziraldo esteve lá, assim como Maurício de Souza, duas figuras importantes da minha infância. Ziraldo escreveu o primeiro livro sério que li (sério?! hahahahah), melhor dizer que o primeiro livro com mais texto, lido na primeira série, hoje segundo ano.  O Joelho Juvenal. Maurício tem me acompanhado desde sempre com suas revistinhas. No início eu só via as figuras, depois comecei a ler alguns balões. Por fim meu pai fez uma assinatura da 'Turma da Monica'. Então eu esperarva, esperava e esperava. Quando batiam na porta eu corria e não deixava nem as revistinhas chegarem  no meu quarto, lia no silêncio com meu amigo, o sofá da sala. (=D)
Não entrei na fila dos autógrafos, queria deixar que as crianças usufruissem do que eu mesma tive quando criança. Na segunda vez fui com a Roberta e com a Isadora. Tive outras oportunidades belas, como por exemplo, mostrar o livro de onde tirei o poema 'Isadora'. Além disso, a Bienal estava vazia, então pude comprar outras coisas que não tinha visto. Por exemplo, um livro infantil escrito por Mia Couto.
Como estava com uma leitora mirin, entrei na famosa floresta das palavras. Foi excelente.
Na Bienal eu encontrei novos e baratos livros do Monteiro Lobato. Comprei vários. Quando era criança eu queria ter a coleção toda. Meus sobrinhos e possíveis filhos a terão. Por enquanto tento contar as estórias para minha quase prima Maria Eduarda que com seus seis anos corre, pula pela casa e brinca nos meus ombros. Obviamente fracasso, mas quando ela quiser, a coleção estará aqui.
Ainda tem dois dias de Bienal, vá!
E domingo, Miguel Sousa Tavares estará lá!

Fotos:
Esse era para ser um post com fotos. Tirei foto da Bienal, do Maurício, da floresta.
Mas um ninja conseguiu apagar todas as fotos da máquina quando eu emprestei para que ele tirasse uma foto. =D (Socorro!!!)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Poesia?

“(Clarice Lispector para Vinícius de Moraes)
- Quero lhe pedir um favor: faça um poema agora mesmo. Tenho certeza de que não será banal. Se você quiser Menestrel, fale seu poema.

- Meu poema é em duas linhas: você escreve uma palavra embaixo e outra em cima porque é um verso.
É Assim:

Clarice
Lispector
- Acho lindo teu nome Clarice.”

(Clarice Lispector entrevistando Vinícius de Moraes. LISPECTOR, Clarice. Vinícius de Moraes in: de corpo inteiro.)

Eu nunca escrevi diários, agenda ou caderninhos. Nesse aspecto sempre fui muito diferente das minhas poucas amigas adolescentes ou pré-adolescentes. Na verdade eu devo admitir que sempre tive dificuldade de confiar, especialmente em mulheres. Minhas grandes amizades de adolescência, pré-adolescência e infância foram, durante algum tempo, apenas dois meninos que disputavam minha atenção e o posto de ‘melhor amigo’, e uma menina com a qual brincava de barbie, lego e casinha é claro. Tomei gosto pela escrita de outra forma. Eu falo sobre o tempo, faço piada, brinco com os outros, mas falar sobre o que sinto é uma dificuldade que carrego desde que consigo lembrar. Então eu descobri a escrita. Excelente terapia que alivia o stress enquanto eu escrevo bobagens absurdas que nunca serão lidas,  e outras que serão postadas em um blog não visitado. Minha (quase única) grande amizade feminina da adolescência lia meus textos exaustivamente e os corrigia atentamente. Isso pode ser uma enorme tortura quando a autora não sabe posicionar vírgulas, usar “porque” ou crase. Na época eu odiava português e tinha feito questão de esquecer tudo que minhas professoras malucas tinham tentando colocar na minha cabeça. Hoje a amiga faz letras e eu aprendi muita coisa em nossa longa trajetória de amizade. Volta e meia eu envio um texto para ser avaliado. Mesmo que hoje ela encontre apenas alguns pequenos e poucos erros em minha escrita, sinto falta sempre dos comentários dela.
Quando eu aprendi a amar a língua portuguesa no meu primeiro ano e superei o trauma ‘Machado de Assis’ no terceiro, juntei coragem e mostrei alguns dos meus escritos para a professora. Um deles foi publicado entre as melhores redações do colégio e eu tive direito até a uma tarde de autógrafos. Entretanto, sou incapaz de escrever sonetos. É uma doença crônica gravíssima. Também por isso, nunca consegui entender o que era aquilo que eu escrevia.
- Eu não sei o que eu escrevo professora, eu só escrevo – Eu disse isso para minha professora e ela sorriu, respondeu com naturalidade – Isso é prosa poética, é o que a Clarice Lispector faz. Leia algo dela.
Imediatamente devorei ‘A Hora da estrela’, depois li outros e ainda estou perseguindo essa mulher graças ao sorriso da minha querida professora. Enquanto tantos ficavam desesperados quando encontravam Clarice no vestibular, eu ficava alegre. Era como reencontrar uma grande amiga. Sem etiquetas, esperas ou cobranças, tinha comigo apenas a felicidade de passar com ela alguns momentos. No meio de 2009 e sua bagunça eu descobri Mia Couto. Prosa poética ou poesia em prosa? - perguntaram para ele. Não me importa, o que me interessa é ser inundada por palavras cheias de beleza, sentidos e sorrisos. Importa-me sorrir enquanto leio, mesmo que seja um riso em meio ao triste ou trágico, gosto de sentir.
Encontrar Mia Couto e sua escrita foi um belo retorno a uma verdade tão gostosa que me foi ensinada por Clarice: Poesia é sentir e escrever vivências, e assim como a existência, não tem grandes protocolos. Esbarro então com a palavra grega poiesis, onde arte é criar e todo fruto das mãos e da mente humana pode ser uma poesia. E sorrio com o Mia Couto em uma das mãos, Clarice na outra e as palavras borbulhando na tela do computador. Poesia é uma simples forma de ler e sentir a vida.