"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

domingo, 30 de agosto de 2009

Janelas...

Foto: Casa do Ouvidor, Ouro Preto.

Através de Mia Couto eu encontrei novos horizontes. Seu livro me apresentou duas novas autoras. Aos poucos compartilho com vocês.
Hoje postarei um poema, que introduz um dos capítulos do livro 'antes de nascer o mundo'.

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Sophia é poeta e contista portuguesa. Nasceu em 1919 e é considerada um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea. Em 1999 recebeu o prêmio Camões, um dos mais importantes para autores de língua portuguesa. O prêmio foi instituido pelo governo brasileiro em conjunto com o de Portugal. Ele é atribuido a autores que com o conjunto de sua obra tenham contribuido para o enriquecimento da língua portuguesa.
Em 2004 perdemos Sophia, mas, através de seus belos escritos, ela segue conosco, viva na memória da nossa língua.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Memorável...

"O que a memória ama fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível"
(Adélia Prado.
Epígrafe do segundo capítulo da parte dois do livro)


Descobri os livros muito jovem e ainda lembro do fascínio que senti ao perceber que podia ler sozinha as letras impressas no papel. Quando adolecente eu conheci o livro que seria 'livro da minha vida' por toda minha adolescência. Riam o quanto quiserem, o livro é a obra imortal de Gaston Leroux, "O fantasma da Ópera". Ele foi o livro extra da sétima série e eu era apaixonada por ele. Conhecia os diálogos, os personagens e devo dizer que o li por completo cinco vezes. Muito tempo depois um outro livro chegou. Carlos Ruiz Zafón e seu romance sobre um menino e um cemitério de livros que me levou a Barcelona e eu ainda posso sentir o livro pulsando dentro de mim. Recentemente eu conheci Mia Couto e a paixão profunda me fez quebrar uma promessa, prometi que leria Torga antes de ler outro livro do Mia Couto, mas eu não resisti.
Indo para ANPUH deparei-me com o novo livro de Mia Couto no aeroporto. Eu ainda estava terminando o primeiro e por isso nem pensei em comprar. Em Fortaleza, depois que terminei de ler "um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", eu me arrependi de não ter comprado.
Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei no Rio. hoje escrevo após terminar a bela leitura de "Antes de Nascer o Mundo".
Então por fim eu permito que esse livro se eleve para estar entre as minhas outras obras favoritas, mas dou a ele o lugar de honra por estar acima de qualquer outro livro que eu já tenha lido até agora. Tanto eu quanto ele sabemos que esse lugar de honra pode ser passageiro, mas nós nos olhamos como velhos amigos que sabem que certos amores não morrem nunca. E como diria o próprio Mia Couto através da portuguesa Marta em seu livro 'Antes de Nascer o Mundo', "Nunca faças nada para sempre, exepto amar".
Eu gostaria de fazer um enorme post sobre o livro e sobre como é maravilhoso revisitar esse mundo moçambicano de Mia Couto, mas já não tenho palavras. Por vezes é melhor afinar silêncios.
A obra e seus cativantes personagens me levaram a um mundo de esquecimento, memória, tempo e dor. Estou ainda deixando a história se ajeitar dentro de mim. Vejo o tempo com outros olhos e com outros tempos.
Eu poderia dizer que recomendo que você leia, mas isso é muito pouco. Eu desejo então que você leia e sinta parte do que eu senti e se assim for possível, que sorria como eu sorri. E ao final, que olhe a vida, a memória, o tempo e a História com outros olhos. Olhos de quem pode ver o antes, o depois e o próprio presente do nascer do mundo em uma vida.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Rede e descanso


Em homenagem a nossa querida integrante Eunícia que adora deitar na rede, eu trago para vocês o belo desenho da nossa amada ilustradora, Mariana Massarani. =D
Quando tiverem chance entrem no blog dela, os desenhos dela nos fazem sorrir e isso é um algo valioso demais! =D
Beijos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Para refletir...

Após o cerco de Gondor e a terrível batalha diante das muralhas de Minas Tirith, o elfo Legolas e o anão Gimli, entram vitoriosos na bela cidade parcialmente arruinada, devido ao ataque feroz dos exércitos inimigos. Estão encarregados de levar uma mensagem a um dos príncipes de Gondor que assumira, momentaneamente, o governo da cidade (mais explicações no livro, é claro). Enquanto caminham pelas ruas, conversam e observam a cidade. Gimli repara a excelente qualidade do trabalho em pedra em algumas áreas e a decadência do mesmo trabalho em outras áreas. Legolas repara na falta de jardins e pássaros que alegrem o povo. Finalmente encontram o príncipe, trocam palavras corteses e os dois companheiros passam a mensagem, despedindo-se em seguida. Segue-se um trecho do interessante diálogo entre eles após saírem da presença do príncipe (interessantes diálogos nem sempre aparecem nas adaptações cinematográficas):

_ Aí está um belo senhor e um grande capitão de homens – disse Legolas – Se Gondor ainda tem homens assim atualmente, na sua decadência, grande deve ter sido sua glória nos dias de ascensão.
_ E sem dúvida o trabalho em pedra que é de boa qualidade é o mais antigo, e foi feito na primeira construção – disse Gimli – É sempre assim com as coisas que os homens começam; há uma geada na primavera, ou uma praga no verão, e suas promessas fracassam.
_ Mas raramente fracassa sua semente – disse Legolas – Esta fica na poeira e na ruína, para germinar de novo em tempos e lugares inesperados. Os feitos dos homens sobreviverão a nós, Gimli.
_ Apesar disso, em minha opinião, no fim não sobra nada além do que “poderia ter sido” – disse o Anão.
_ Para isso os elfos não têm a resposta – disse Legolas.

TOLKIEN, J. R. R. “O último debate” in: O Senhor dos Anéis: o retorno do Rei. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poema

Eu amo o português. Seus sons, seus acentos, as palavras. Devo dizer que o detestei por muito tempo, mas agora eu vivo um amor eterno. Ainda assim tenho outros idiomas de que gosto muito, como o Italiano, que eu conheci por causa de uma cantora e me apaixonei no momento seguinte. Minha maior dificuldade de aprender o francês é justamente esse italiano insistente que fica na minha mente. Amo certas palavras italianas, o som, a pronúncia...
Uma amiga minha me mandou um poema em italiano que eu amei, até pelo momento no qual eu li. Mesmo assim eu não sei nada do autor além desse pequeno nome e não encontrei o poema na internet. Se algum de vocês souber, por favor conte.

Per la prima volta ho paura....
di cosa?
paura di ciò che non sò
di ciò che sarà...
se sarà.
Paura di un buio così buio da non riuscire ad illuminare....
paura della discesa ripida
da non poter frenare...
(Giusy)


precisa tradução?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Manuel Bandeira


Algumas pessoas sabem ou perceberam que eu amo nomes próprios. Gosto de conhecer nomes e saber suas origens ou significados. Gosto de conhecer a história dos nomes e uma das perguntas que mais gosto de responder é da onde veio a idéia para o meu nome.
Antes da minha última viagem fui a Livraria da Travessa para comprar um filme específico e dar de presente para avó do Felipe. Claro que fiz um passeio completo pela livraria toda, que é linda por sinal. Então me deparei com um livro chamado As meninas e o Poeta. Foi organizado por Elias José, Ilustrado por Graça Lima e estava cheio de poemas de Manuel Bandeira. E a minha cara de surpresa quando vi que os poemas eram nomes de meninas e cada um deles era dedicado a uma menina diferente.
Coloco aqui então um que se chama Isadora em homenagem a filha da Roberta, que também é uma excelente companheira de leituras. =D



Isadora
Manuel Bandeira

Pois que és Isadora
Dança, dança, dança.
Não direi agora
Que ainda és criança
Mas quando chegares
À idade da trança
Dança, dança, dança
Dança até cansares.
Dança, dança, dança
Como na Ásia dançam
As moças de Java
Pois que és Isadora,
Dança como outrora,
Como linda outrora
dançava, dançava
Isadora Duncan

Imagem - Desenho A Dona da festa de Graça Lima retirado do blog capa dura em cingapura

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Empatei com alguém...

Fiz o teste e fiquei lá no lugar da Agnes...
Deu:
"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz. "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.