"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

domingo, 5 de julho de 2009

Boa dupla


Eu gosto de muitas coisas, mas tem aquelas que simplesmente me deliciam. Uma delas é comprar presentes. Adoro!
Quando um amigo faz aniversário penso no presente por vezes três meses antes. Ou então, quando sei o que um amigo quer, começo a bolar um plano para dar de forma criativa. Amo encontrar livros raros e desejados para dar de presente. Comprar livros como presentes é uma alegria só! E tenho um prazer especial dentro deste já mencionado. Divirto-me comprando presentes para crianças. Penso na embalagem, se virá com pirulito, se o brinquedo é adequado, se o livro é interessante, etc. Hoje fui fazer isso, comprar um livro para uma criança. Acabei ganhando um de presente do meu pai, que sutilmente percebeu meu interesse. Reconheci primeiro as gravuras, depois a autora. Gosto muito das duas, formam uma boa dupla. Mariana Massarani, que conheci recentemente, e Ruth Rocha, que é uma autora admirada há muito tempo. Já li e dei boas risadas. As histórias são fofíssimas, mas uma delas lembrou-me especialmente da Eunícia. Ela fala sobre o descobrimento do Brasil, sobre os índios, e como já vimos, a Mariana Massarani tem um jeito especial de desenhar os índios. Transcrevo então parte do diálogo da primeira história.

“Então um dia a professora disse que ia falar sobre o Descobrimento do Brasil.
- Ó menina – ela disse para mim – vamos ver o que você aprendeu na sua escolinha de Periquitópolis, ou seja-lá-como-se-chama. O Que você sabe sobre o Descobrimento do Brasil?
Me deu uma raiva, que ela estava caçoando da minha escola...Eu não sei de onde eu tirei coragem para responder:
- Ah professora, o Brasil não foi descoberto, não, ele sempre esteve aqui mesmo, não estava coberto nem nada, estava cheio de índio peladão correndo das muriçocas, pescando curimbatá e comendo gabiroba*...”


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*Gabiroba é um fruto produzido pela gabirobeira. Para saber mais clique aqui

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Notas de uma madrugada chuvosa

Como Agnes Maria me intimou, muito sutilmente a postar no Blog, e estou no meu intervalo, resolvi dar o ar de minha graça.
Estou estudando o Romantismo, e toda essa subjetividade e desencanto com o mundo acabaram combinando com o meu estado de espírito exausto de pré-férias, logo compartilho com vocês um poema que amo imensamente! Seu autor é um dos meus poetas favoritos, um charmoso irlandês William Butler Yeats ( 1865-1939) ganhou prêmio nobel de Literatura em 1923.
Sem mais delongas eis aqui o poema:

Ephemera
"Your eyes that once were never weary of mine
Are bowed in sotrow under pendulous lids,
Because our love is waning."
And then She:
"Although our love is waning, let us stand
By the lone border of the lake once more,
Together in that hour of gentleness
When the poor tired child, passion, falls asleep.
How far away the stars seem, and how far
Is our first kiss, and ah, how old my heart!"

Pensive they paced along the faded leaves,
While slowly he whose hand held hers replied:
"Passion has often worn our wandering hearts."

The woods were round them, and the yellow leaves
Fell like faint meteors in the gloom, and once
A rabbit old and lame limped down the path;
Autumn was over him: and now they stood
On the lone border of the lake once more:
Turning, he saw that she had thrust dead leaves
Gathered in silence, dewy as her eyes,
In bosom and hair.
"Ah, do not mourn," he said,
"That we are tired, for other loves await us;
Hate on and love through unrepining hours.
Before us lies eternity; our souls
Are love, and a continual farewell."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Portugal, Miguel Torga


“Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar”
(Pátria – Miguel Torga)

Eu às vezes escolho livros pelo título. Não os descrimino por isso, mas um título interessante muitas vezes me compra, e eu a ele. Da última vez que entrei na travessa deparei-me com um novo título e instantaneamente vi a mim mesma. Vi meu rosto e uma história que é minha e que eu tento, tantas vezes, esquecer. Mas, “se recordar é viver, esquecer é morrer um pouco.”
Comprei o livro e a leitura acabou me afetando mais do que eu imaginava. Vi meu avô naquelas páginas e deixei cair uma ou duas lágrimas de saudade. Queria que ele me visse estudar essa terra e essa gente que ele tanto amou. Queria ter podido conversar com ele hoje sobre como essa história dele acabou me influenciando mais do que eu imaginava. Foi quando descobri que até mesmo a origem da minha paixão por história é mais antiga do que minha quarta série. Antes de descobrir o Brasil em sala, eu descobri Portugal nos olhos e na vida do meu avô. Queria ter conversado com ele sobre esse livro. Talvez ele tivesse outras histórias ainda mais belas que as de Miguel. Então deixei cair mais lágrimas e não tive pudor dessa vez, permiti que elas caissem sem medo. Fazia muito tempo que não chorava de saudade, algumas lágrimas escorreram pela face, outras caíram para dentro. Foi bom visitar a terra dele mesmo que através de um livro. Reencontrei um amor que eu tinha escolhido deixar para trás.
Prometi então duas coisas: Vou comprar outro livro de Miguel Torga para ler assim que terminar o próximo da minha lista. Vou deixar-me descobrir e amar essa terra que meu avô amou e vou conhecer pessoalmente esse lugar que de certa forma também me gerou.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O amor 'voador'

Quando falei de FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO de Roland Barthes no encontro do grupo hoje, indicava os desdobramentos das instâncias amorosas entre dois seres humanos, mas metáforas são possíveis e amamos animais, objetos e entre eles, os livros. Há ainda o amor a autores, que compõe de modo singular o amor a uma pessoa que muitas vezes não conhecemos e a idéia de 'pessoa' mistura-se a situações objetais (o autor como coisa amad).

Enfim, lembrei que Barthes diz um pouco sobre o sentimento que temos quando vemos o objeto amado ameaçado de algum modo. No seu pequeno 'dicionário' do amor, ele trata da Compaixão. Segue o verbete de abertura:

"O sujeito experimenta um sentimento de violenta compaixão em relação ao objeto amado, cada vez que o vê, o sente ou o sabe infeliz ou ameaçado, por esta ou aquela razão, exterior à relação amorosa ela mesma"

Lembrem da 'violência' da voadora... Agnes ama o Ilmar (não apenas ela, mas provavelmente meio mundo dos historiadores e certamente todos os que o conhecem) e Agnes ama o conhecimento, o saber que emanam das palavras do Ilmar, assim, o ataque à obra promove a compaixão que envolve a necessidade de responder em lugar de... Afinal, a amiga pode gostar ou desgostar do Ilmar ou de O Tempo Saquarema, cabendo a ele - pessoa ou autor - responder a esse desamor, mas Agnes quer dar uma voadora...

Para Barthes, Agnes ama.
:)

Ler palavras, escrever palavras

Segue caminho para um post de blog com o qual me identifiquei completamente. Diz sobre as palavras. Seus sons e formatos. Com as palavras sou sim COMPULSIVA.
:)

http://ladoubleviedeveronique.blogspot.com/2009/06/ineditos.html

FLIP

Mariana Massarani nos lembra que hoje começa a FLIP. E me deixa com água na boca, vontade grande de estar lá... (mas não se pode viajar durante quatro semanas seguidas para três lugares diferentes com três provas para entregar.)

Voadora

Alguém já sentiu vontade de dar uma voadora em quem fala horrores dos seus autores queridos?
Reproduzo outro diálogo que tive com uma amiga que estuda história na minha ex-faculdade dos sonhos, UFF.

- Poxa, quando eu via o Tempo Saquarema nunca imaginava que o leria, sequer que teria aula com seu autor, é...
- É...eu li essa PORCARIA I-N-T-E-I-R-A no segundo semestre, eita...

*nesse momento tudo ficou escuro, pensei: mato, esquartejo, queimo viva, pulverizo, torturo até a morte? Então me lembrei que ela é minha amiga e que divergir faz parte do meu ofício...mas a vontade de dar uma voadora persistiu por um tempo...*