"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

sábado, 20 de junho de 2009

O que fazer com o que lemos...

"Ver sair literalmente à rua quem trabalha e ensina nas nossas universidades faz-me ter saudades de uma escola que podia e devia ser a nossa, em que os oradores falam com entusiasmo do que efectivamente sabem (sem a leitura monocórdica de comunicações tão frequente nos congressos), em que o conhecimento fruto do trabalho de investigação é chamado a transformar o mundo cá fora (em vez de se perder nas habituais e estéreis rivalidades académicas) e onde não há lugar para bocejos."

Este é o depoimento da portuguesa Rosa Pomar, que com outros tantos vem se mobilizando para que não fechem o Museu de Arte Popular de Lisboa e hoje estiveram à sua porta em manifestação. Para pensar o que fazer com as leituras que fazemos.

Malasartes e Cecília Meireles

Eu nunca deixo que a criança dentro de mim morra. Por isso eu sempre que posso dou uma olhada em lojas de brinquedo, livrarias infantis e em parquinhos. No meu segundo período eu tinha 6 horas de tempo vago...(nem me perguntem) Por causa disso eu fui até o Shopping da Gávea num desses dias para conhecer. Fui por causa da professora Margarida, ela tinha falado de uma loja de brinquedos: Enfim Enfant.

Logo em frente tinha uma livraria, uma linda e jeitosa livraria. sorri bastante lá, até porque reencontrei alguns dos amigos livros de infância. Voltei lá na semana passada. Procurava por um título em especial: O Rei Bigodeira e sua Banheira. Eu amava quando era criança e meu exemplar estava destruido. Claro que enquanto estava lá vi muitos outros títulos interessantes.

Comprei mais um então para minha coleção infanto-juvenil. Ou Isto ou Aquilo, Cecília Meireles.


E Eis o poema que ouvi contando pelo Gato do Castelo Ra Tim Bum, que me aprensentou Cecília Meireles e me fez ler, anos mais tarde, o Romanceiro da Inconfidência (por puro gosto antes que me perguntem)
O eco - Cecília Meireles

O menino pergunta ao eco
onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde:
"Onde? Onde?"
O menino também lhe pede:
"Eco, vem passear comigo!"
Mas não sabe se eco é amigo
ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer:
"Migo!"
Ps. prometo que um dia posto fotos da Malasartes...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Neruda

Eu li Pablo Neruda por causa de um filme. Patch Adams. Depois me apaixonei. E já que falamos dele segue abaixo meu soneto favorito. Está na obra Cien Sonetos de Amor. E eu coloco em espanhol afinal é uma lingua muito charmosa...



No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.


Pablo Neruda

terça-feira, 16 de junho de 2009

Libro de las preguntas

Já gosto de Neruda, conheci há pouco e adorei a MediaVaca (foi dessa editora que retirei aquela imagem que postei por email para todos os PET com inspiração de fazermos uma igual...), agora, descobri esse livro publicado por ela...

Deixem-se viajar no site. Ele também é lindo!http://video.alisys.net/cajamadrid/obrasocial/libro_preguntas/

Beijos

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Diálogos divertidos...

Um já foi comentado e agora posto para ficar para posteridade e outro acabo de viver.

Local: Rio Data Centro
Terminava meu trabalho de Mitologia quando ouvi o diálogo de duas pessoas ao meu lado.

- Terminei!
- Cara, coloca umas aspas aí. Tu esqueceu da referência bibliográfica!
- Esqueci nada! Não vou colocar não, não serve para nada mesmo.
- Bem é verdade, imprime e vamos logo.
- Já mandei...partiu

Local: Saraiva
Estava passeando com uma amiga quando ela me disse:

- não acredito que você vai comprar um livro de literatura.
- Eu amo ler!
- Ai, nada mais inútil do que literatura.
- ...
- É verdade Agnes, você se errola para ler um troço que não serve para nada. Que diversão mais inútil.

Imaginem quando ela descobrir que eu também leio livros infantis...(hehehehehe)

Bom saber que podemos ter opiniões tão diferentes!

Ps. Espero nunca ter que ler um livro escrito pelos meninos do primeiro diálogo, ou espero que eles descubram a utilidade das referências bibliográficas até o final da faculdade. Acho que eu deveria ter indicado uma aula de Tutoria (he,he,he)

domingo, 14 de junho de 2009

Cercas...

"Cercas como essa existem no mundo todo.
Esperamos que você nunca se depare com uma delas."
(Orelha do livro)

Já li diversos livros. Alguns eu pensei serem criativos, mas horrendamente escritos. Outros eram belos, mas verdadeiros clichês. Li alguns que o autor pretendia escrever um romance e acabou escrevendo um livro de auto-ajuda. (Coisa que particularmente eu não gosto. Exceto um ou outro realmente divertido.)
Tem livros que são como um soco na boca do estômago. Alguns eram mais ou menos e outros tão bons que me fizeram perder o fôlego.
Então eu li o menino do pijama listrado. Se eu tivesse que classificá-lo, colocaria como um livro tipo “me fez perder o fôlego.” Porém, classificá-lo parece quase um crime.
Eu vi o filme. Lamento tê-lo feito. Não porque o filme seja ruim, ao contrário, é belíssimo. Entretanto, o filme perdeu o que o livro tem de mais importante: a inocência de Bruno. Não sei como John Boyne fez isso, mas o livro tem uma inocência que é o dá ao texto sua verdadeira beleza.
Comecei a história pensando que era um livro sobre segunda guerra. Depois presumi que a personagem principal era o menino Bruno. Em seguida fui em frente pensando que o verdadeiro foco era o holocausto. Então conheci Shmuel e pensei que seria ele o motivo da história. Porém, ao terminar o livro eu formulei minha própria teoria. Acho que o livro é sobre uma cerca. Uma cerca, pijamas, berros, lágrimas e amizade.
A orelha do livro é genial. Tentei descobri quem a escreveu, mas não consegui. O autor foi muito feliz. Segui com Bruno. Deixei Berlim para conhecer Haja-Vista. Então me deparei com a cerca e faço minhas as palavras dos autores da orelha: “Espero que você nunca se depare com uma delas”
Então um grito mudo saiu da minha boca e eu me fiz a mesma pergunta que o jovem Bruno: “E quem decidiria quem usava os pijamas e quem usava os uniformes?”
Ainda me faço essa pergunta enquanto penso em Bruno. Penso por fim na cerca e no pequeno Shmuel. Então um sorriso brota nos meus lábios quando lembro da cena em que os dois meninos apertam as mãos por debaixo da cerca. Fico feliz. A cerca não foi suficiente para eles, também não o será para mim.


BOYNE, John. O Menino do Pijama Listrado. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

sábado, 13 de junho de 2009

Intervalo

Outro dia conversava com Agnes sobre como cada um tem um ritmo próprio de leitura. Não apenas ler lenta ou rapidamente, mas na escolha de situações de leitura que são mais prazerosas que outras e que nos distinguem na forma como lidamos com o objeto livro.

Não sei se ocorre com vocês, mas sem poder contar cronologicamente (por vezes é mais tempo, por vezes menos), entre uma leitura e outra que não seja de trabalho eu preciso de um INTERVALO. Um tempo para amadurecer as palavras, para fazê-las ecoar dentro de mim, pois é como se sem ele, sem o intervalo, elas não fossem permanecer.

Acabei de ler o livro abaixo e tenho a promessa de empréstimo de outro, do mesmo autor - :) -, mas por enquanto, estou no meu intervalo.